Durante mais de uma década, fui um usuário fiel do Android. Acompanhei a evolução do sistema operacional, testei dezenas de aparelhos de diferentes marcas e explorei tudo o que o ecossistema do Google tinha a oferecer. No entanto, minha relação com os smartphones deu uma guinada inesperada no ano passado, quando assumi o cargo de editor de dispositivos móveis em um dos principais sites de tecnologia. De repente, tornou-se essencial mergulhar também no universo da Apple, algo que até então era quase um mistério para mim.

Apesar de os iPhones sempre terem tido relevância dentro da redação, a verdade é que com o lançamento de, no máximo, cinco modelos por ano, minhas chances de testar um como integrante júnior da equipe eram limitadas. Isso mudou quando fui promovido. Um dos meus primeiros objetivos na nova função foi entender como a Apple tem se posicionado no mercado de smartphones – não apenas com base em especificações e anúncios, mas na prática, no uso diário.

Foi então que coloquei meu chip no iPhone 16 Pro, o primeiro aparelho da Apple que usei como principal desde o iPhone 5, lá em 2012. A diferença entre aquele modelo antigo e o atual foi gritante, mas o que realmente me surpreendeu foi o quanto a experiência de uso entre os dois sistemas operacionais havia se distanciado.

Migrar do Android para o iPhone não é apenas trocar de aparelho. É uma mudança completa de paradigma: a forma como as notificações funcionam, como os aplicativos se integram ao sistema, como os arquivos são compartilhados. Tudo parece familiar à primeira vista, mas rapidamente surgem as diferenças, algumas delas mais sutis, outras impactantes.

No entanto, encontrei uma solução que facilitou esse período de adaptação. Em vez de abandonar completamente meu dispositivo Android, optei por manter os dois aparelhos em funcionamento simultaneamente. Isso foi possível graças à opção de adicionar o iPhone como um “dispositivo vinculado”, funcionalidade que permite utilizar até quatro aparelhos ao mesmo tempo.

Essa alternativa se mostrou ideal para quem, como eu, está fazendo uma transição gradual. Mesmo com o telefone principal desligado, o iPhone 16 Pro continuava funcionando normalmente, o que me dava liberdade para alternar entre os dois sistemas conforme necessário. A única exigência é fazer login no aparelho vinculado pelo menos uma vez a cada 14 dias, um detalhe simples diante da praticidade oferecida.

No fim das contas, a experiência de mudar para o iPhone depois de tantos anos com o Android foi desafiadora, mas também reveladora. Descobri que, embora diferentes, os dois ecossistemas têm pontos fortes e fracos, e que a escolha entre eles muitas vezes depende mais do perfil do usuário do que das especificações técnicas. Para mim, esse período de testes foi essencial não só para ampliar meu repertório profissional, mas também para entender de forma mais equilibrada o que cada plataforma tem a oferecer.